quarta-feira, 17 de junho de 2026

Há exatos 10 anos recebi minha carteira profissional da OAB.



Ao longo desta primeira década de advocacia, testemunhei mudanças que talvez poucas gerações de profissionais do Direito tenham experimentado em tão curto espaço de tempo.

Quando iniciei minha trajetória, o cotidiano forense ainda convivia com processos físicos, cargas de autos, longas idas aos fóruns, audiências essencialmente presenciais e uma dinâmica de trabalho que parecia consolidada. Poucos anos depois, a transformação digital remodelou o sistema de Justiça. O processo eletrônico tornou-se regra, audiências passaram a ocorrer por videoconferência, sustentações orais migraram para o ambiente virtual e, mais recentemente, a inteligência artificial passou a integrar a rotina dos operadores do Direito.

Ao mesmo tempo, o próprio Direito tornou-se mais complexo. A multiplicidade das relações jurídicas, a expansão regulatória, a proteção de dados, as novas tecnologias, as plataformas digitais e os desafios decorrentes de uma sociedade cada vez mais conectada passaram a exigir do advogado muito mais do que conhecimento técnico.

Nesse contexto, talvez o maior desafio da advocacia contemporânea seja preservar sua essência sem se afastar da inovação.

O advogado do século XXI não pode ignorar as transformações tecnológicas, mas também não pode se tornar refém delas. A tecnologia deve ser compreendida como instrumento de aprimoramento da atividade jurídica, capaz de ampliar eficiência, acesso à informação e qualidade da prestação profissional. Contudo, nenhuma ferramenta é capaz de substituir a técnica jurídica, o pensamento crítico, a experiência, a capacidade de interpretação, a estratégia e o compromisso ético que caracterizam o exercício da advocacia.

Não por acaso, a Constituição Federal reconhece o advogado como indispensável à administração da Justiça. Essa indispensabilidade não está nos meios utilizados para o exercício profissional, mas na função que a advocacia desempenha em uma sociedade democrática.

O advogado atua com independência, sem submissão a qualquer centro de poder, assegurando que direitos e garantias fundamentais encontrem efetiva proteção. Em muitas oportunidades, sua atuação transcende os limites da causa individual, contribuindo para o aperfeiçoamento da aplicação do Direito, para a segurança jurídica e para a preservação dos valores que sustentam o Estado Democrático de Direito.

Passados dez anos, mudaram-se os processos, os sistemas, as ferramentas e a forma de atuação. Permanece, contudo, a convicção de que a verdadeira essência da advocacia continua a mesma: servir à Justiça, defender as liberdades e contribuir para que o Direito permaneça como instrumento de equilíbrio, cidadania e desenvolvimento social.

17 de junho de 2016 – 17 de junho de 2026.

Uma década de advocacia.