O que está havendo com Santa Catarina — um estado que se orgulha de seus indicadores sociais e de sua organização — mas que, de for
ma cada vez mais recorrente, se vê confrontado com o avanço da violência contra a mulher e dos feminicídios?
O último final de semana escancarou essa contradição. Em menos de 48 horas, quatro mulheres foram assassinadas em diferentes regiões do estado, em crimes que, em sua maioria, ocorreram no âmbito doméstico e envolveram companheiros ou ex-companheiros. Não se trata de um fato isolado: em 2026, Santa Catarina já registra cerca de 20 feminicídios nos primeiros meses do ano, com crescimento expressivo em relação ao período anterior.
O padrão é conhecido — violência silenciosa, que nasce dentro de casa e não encontra resposta eficaz a tempo de evitar o pior.
Diante disso, a pergunta é inevitável: onde estamos falhando?
Nós, homens, precisamos assumir responsabilidade ativa na construção de uma cultura de respeito e de paz. A sociedade e o poder público devem avançar na educação — nas escolas e no ambiente familiar —, fortalecer redes de apoio às vítimas e ampliar grupos reflexivos.
É imprescindível expandir iniciativas como a Rede Catarina de Proteção à Mulher, com maior capilaridade e capacidade de acompanhamento preventivo.
Também é urgente investir em tecnologia e integração institucional. O uso de monitoramento eletrônico de agressores, dispositivos de alerta e sistemas conectados pode ampliar a efetividade das medidas previstas na Lei Maria da Penha, permitindo não apenas reagir, mas prevenir.
Nesse mesmo sentido, tramitam no Congresso Nacional iniciativas legislativas de autoria da ex-deputada federal Carmen Zanotto (atual prefeita de Lages), que propõem o uso de aplicativos de celular voltados à proteção de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, inclusive com integração direta com as forças de segurança, bem como a previsão de aplicativos nativos em dispositivos móveis para ampliar o acesso a mecanismos de proteção.
Tais iniciativas incorporam a tecnologia de forma nativa e com custo significativamente menor, sobretudo quando comparadas a equipamentos como o botão do pânico ou o uso de tornozeleiras eletrônicas, que, embora importantes, apresentam limitações operacionais e de escala.
Por isso, é fundamental que ganhem prioridade, protagonismo no debate público e passem a integrar a pauta da próxima bancada federal catarinense.
A resposta das forças de segurança e do sistema de justiça precisa ser rápida, coordenada e firme, com prioridade absoluta à proteção da mulher e ao afastamento de potenciais agressores.
Porque não há desenvolvimento real onde mulheres continuam sendo mortas por serem mulheres — e onde ainda persiste a lógica perversa de posse, em que o agressor enxerga a mulher como propriedade, acreditando que, se ela não for sua, não será de mais ninguém.
Romper com essa mentalidade é condição indispensável para enfrentar a raiz da violência e preservar aquilo que Santa Catarina sempre afirmou como valor: uma sociedade segura, equilibrada e verdadeiramente comprometida com a dignidade de todos.
Alisson Micoski, advogado
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